O Eu tem medo do Nós

Ziel Machado
24/8/2018
Hermenêutica

O Eu tem medo do Nós

Na arte do pastorado sou convidado a habitar em muitas dores. Quando o coração aperta e a dor as palavras silenciam, alguns ainda recorrem ao antigo ofício da escuta sacerdotal do pastor que está próximo.Aquele que transforma a escuta em ato de reverente oração e que sinaliza a possibilidade da esperança. Faço isso de forma solene pois é com a vida que estou lidando. Com muita frequência recorro a ajuda de amigas e amigos psicólogos,reconheço os limites e possibilidades do cuidado pastoral. Devo dizer que tem sido uma alegria compartilhar este mistério e ministério do cuidado com eles.

As crises conjugais têm sido o maior motivo pelo que sou procurado. Com pesar vejo a dificuldade com que pessoas que decidem construir uma vida juntos não tem conseguido fazer a transição da primeira pessoa do singular para a primeira pessoa do plural, vejo que o Eu tem medo do Nós (e com muitas razões para isso).

Estamos conquistando o espaço sideral e perdendo o espaço pessoal. O Eu está em profunda crise de sentido e isso explica, em parte, a incapacidade de construir o Nós. Nossas tentativas de compartilhar a jornada têm sido sabotadas pelo EU que se perdeu no caminho e, assim, o espaço do Nós virou um campo de luta ao invés de uma jornada solidária. A dor tem suplantado a alegria. Continuamos olhando para o brilho das estrelas, lá no céu, enquanto vamos perdendo o brilho de nossos olhos.

Continuo escutando e orando com esperança.

“Esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seu coração,estejam unidos em amor e alcancem toda riqueza do pleno entendimento, a fim deconhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estãoescondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”. Colossenses 2:2-3